Após a celebração da festa da Simchá Torá (Alegria
da Torá), inicia-se ao novo ciclo de estudo da Torá. Mas, o que é a Tora? Uma
das palavras que mais tocam meu coração, que me emociona e fala de modo
profundo e espiritualmente, é a palavra Torá. Muita gente pensa que Torá quer
dizer “lei”. Na língua hebraica, (Dat), significa lei, decreto, edito, prescrição,
no sentido genérico da palavra. Este termo engloba as palavras mandamentos
(mitzvot), estatutos ( huquim ) e ordenanças ou preceitos (mishpatim).Seria
muito importante para nossa vida espiritual saber diferenciar estes
conceitos, mas ficará para uma próxima oportunidade.
A palavra “Torá” quer dizer ensino,
instrução. Esta palavra deriva do verbo “Yara” que quer dizer lançar, atirar,
jogar, ensinar. É como se D’us quisesse “lançar” ou “jogar” conosco sua
sabedoria, sua razão de ser, revelando-nos sua natureza e atributos de Seu
caráter. Lançar algo para acertar o alvo. Já errar o alvo chama-se de Chatá, ou
seja, pecado. Deste verbo “yara” deriva o termo “ primeiras chuvas”,
“yoreh”. Daí a tradição bíblica de se empregar o termo água como sendo sinônimo
da Palavra de D’us, que faz chover suas bênçãos (suas leis) sobre nós.
A palavra Torá aparece 221 vezes na
bíblia. Ensinar é a tarefa especial da escolha de sabedoria, conforme se vê ao
longo do livro de Provérbios, e dos sacerdotes que devem ensinar ao povo a
palavra (a lei de Moisés) como se constata em Lv 10:11 e Dt 33:10. Por sua vez,
o próprio D’us ensinava e revelava a palavra Dele a Moisés. O ensinar com
revelação e sabedoria, incluindo o conhecimento e o entendimento se referem ao
termo Torá, que é muito mais profundo do que simplesmente falar de um decreto
ou da razão de leis. Infelizmente, nem sempre os sacerdotes eram fiéis a D’us;
ensinavam a Palavra por dinheiro e tornaram mestres de mentiras ( Is 9:15; Mq
3:11, p. ex.). A grande ênfase da Torá está na associação da unção pelo Ruach
HaKodesh (Espírito Santo de D’us). Até uma simples instrução de habilidades
artesanais de como construir um tabernáculo precisava desta unção do Espírito
(Ex 35:34). O próprio D’us ensinou a Moisés tanto o que fazer quanto o que
dizer (Ex4:15). Ele quer ensinar o pecador o caminho da retidão e da justiça (
Sl 25:8), instruindo a todos quanto ao caminho que devem escolher (Sl 25:12).
Por esta razão, o salmista com freqüência procura a D’us para que Este o ensine
a guardar os mandamentos, estatutos e ordenanças e a andar no caminho da
verdade (Sl 27:11; 86:11, etc.). A Torá veio do próprio D’us, por isso, os
cinco primeiros livros da Bíblia é chamado de Torá ou Pentateuco, no grego.
Toda a base da verdade revelada por D’us ao homem através de Moisés se resume
nas leis da Torá. Toda a base de nossa fé, a origem de todas as coisas, o
conhecimento do D’us criador, o homem, o universo, as leis de conduta moral,
éticas, cerimoniais compiladas nos cinco primeiros livros da Bíblia retratam a
sabedoria do próprio D’us, ou seja, a Torá, o ensino ou a sabedoria de D’us
para o homem, para a humanidade. Pelo fato dela ter sido dada ao povo judeu
para guardá-la e preservá-la, não quer dizer que ela não pode ser aplicada à
humanidade. Claro que existem leis específicas para a preservação do povo
judeu. Mas, quando o decálogo diz, por exemplo, não matar, não furtar, não
adulterar, etc. isto se aplica à toda humanidade. Já imaginaram a humanidade
cumprindo pelo menos esses três mandamentos? O mundo já seria outro, com
certeza! Os presídios estariam praticamente vazios. D’us quis e quer revelar
sua Verdade, suas leis aos homens, aquele único ser que foi criado à sua imagem
e à sua semelhança. A Torá retrata o caráter do próprio D’us, autor e
consumador de todas as coisas. A Torá mostra como e porquê Ele pensa e se
expressa em amor ao homem. É como se a Torá fosse o manual do fabricante do
próprio homem. A Torá é a expressão do próprio amor de D’us que quis se
relacionar com sua criatura, o homem, que embora este dotado de finita e
limitada sabedoria, restrito por um corpo material corruptível, aprouve D’us
dotá-lo de um Espírito que tem as mesmas características de sua imagem e
semelhança. Esta instrução escrita pelo próprio D’us dada por inspiração a
Moisés transpôs as barreiras da sabedoria humana e tem sido até aos dias de
hoje a “Árvore da Vida” para quem a acha e a encontra, fonte inesgotável de fé,
do poder, da glória e unção que trás a existência aquilo que ainda não existe.
Com base na Torá é que foram escritos os outros livros da bíblia, como os
ketuvim (livros históricos e de sabedoria), os Neviim (os profetas), o
Evangelho de Yeshua, as cartas de Paulo e de outros discípulos. Nada foi
escrito sem a verdade da Torá. A Torá é perfeita e restaura a nossa alma (Sl
19:7). As leis da Torá são como uma cerca que mostra os limites de nossa
liberdade. A Graça de Yeshua nos torna livres, mas a Torá nos coloca em
proteção dentro desta “cerca”, garantindo assim a permanência da Graça de D´us
em nós. Porque se por uma ou outra razão ultrapassarmos esses limites da Torá,
haverá danos em nossa fé, comprometendo nossa caminhada com Yeshua. Mas,
aprouve D’us que esta Palavra se fizesse carne e habitasse no meio dos humanos
(Jo 1:14) através do Messias Yeshua, Jesus de Nazaré pelo qual todas as coisas
foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. Nele
estava a vida, e a vida era a luz dos homens. (Jo 1:2-3). Ou seja, o próprio
Messias como perfeita expressão da Verdade, do Caminho e da Vida é a própria
Torá. Por isso, Yeshua não revogou a Lei, os ensinamentos (da Torá), pelo
contrário, Ele a cumpriu no verdadeiro sentido pleno da palavra. Yeshua quando
aqui esteve em sua primeira vinda como Ben Yosef ( filho de José ou filho do
homem, como gostava de ser chamado) ensinava ao povo a Torá através de
parábolas e contos simples, mas cheios de unção, graça e poder. Yeshua
não trouxe um outro evangelho, senão aquele contido na própria Torá.
Profeticamente, diz a Palavra: …”Irão
muitos povos, e dirão: Vinde e subamos ao monte do Senhor, à casa de D’us de
Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque
de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. “(Is 2:3). Mas, se a Lei, a Torá saiu do Sinai,
como pode de Sião sair esta lei novamente e de Jerusalém a Palavra? Yeshua, é a
própria Palavra que se fez carne, que morreu e que ressuscitou em Jerusalém e
que em breve voltará em glória e poder como Ben David, o filho de David, e
julgará e reinará sobre as nações no Monte Sião, da cidade do grande Rei,
Jerusalém!
Profeta:Cristian Sarmento
Nenhum comentário:
Postar um comentário